ENTRANDO NO DEBATE ENTRE O PRESIDENTE LULA E O BANCO CENTRAL

Por Cláudio Passos

Na posse de Aloísio Mercadante na presidência do BNDES, o presidente Lula deu uma declaração que atinge o coração da burguesia endinheirada brasileira ao se referir que o Brasil pratica a maior taxa de juro real do planeta numa economia estagnada e com inflação prevista para 2023, indicada pelo boletim Focus, de 6%. Ora, se a Selic está em 13,75% ao ano, não há como não dar razão ao presidente Lula, dado que o juro real oferecido pelo BC é de 7,75% ao ano. O paraíso para os rentistas.

Isso posto, observemos os interesses em jogo nessa discussão.

Salta aos olhos o comportamento da Mídia Corporativa e o silêncio da Faria Lima, mas não só, podemos incluir nessa apatia o capital agrário, o comercial e o que restou do capital industrial. Todos em “uníssono” se posicionando no tabuleiro político para sufocar as iniciativas do atual governo que apontem para a retomada do crescimento com criação de emprego e renda. Esse jogo está dado e o presidente Lula tem clareza dessa conjuntura.

A questão que se apresenta é: qual o papel das forças políticas que apoiam o terceiro mandato do presidente Lula?

Bem, o primeiro desafio é saber com quem de fato podemos contar nesse embate que se apresenta. Dada a conjuntura política que saiu vitoriosa na última eleição, dentro dela temos muitos e importantes simpatizantes da atual política monetária praticada pelo BC, entre elas, a ex-senadora Simonet Tebet, ministra do planejamento, que faz parte do COPOM, órgão que tem a missão de fixar os parâmetros dessa política.

As medidas apresentadas até agora pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicam um caminho de racionalização das despesas com respectiva proposta de reforma tributária que será apresentada nos próximos meses. Despesas para o Mercado Financeiro significa dizer: não tire a brasa da minha sardinha, ou seja, não mexam no pagamento do serviço da dívida pública que é sagrado para o bolso do rentismo brasileiro e internacional.

O que temos, em suma, é a velha e boa luta de classes. Se isso estiver claro para as forças políticas comprometidas com um país mais justo e soberano, a resposta está dada: nosso papel é articular, envolvendo a mídia alternativa que já entrou nessa discussão (vide o artigo do Attuch no Portal 247), uma luta que congregue os setores populares que nos apoiam, a saber, sindicatos, movimentos sociais e culturais, o movimento ambientalista, os partidos de esquerda que compõem o governo Lula, enfim todos os cidadãos e cidadãs que estejam dispostos a somar nesse embate.

Essa pode ser uma experiência seminal de nossa capacidade de enfrentar uma oposição de direita e extrema direita que já mostra sua face.

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